Finalmente, após meses dividindo minha atenção entre o trabalho e a vida acadêmica, terminei de ler o livro “Noites Tropicais”, do Nelson Motta. Em 453 páginas, o produtor musical conta a história do início da Tropicalismo, da MPB e do Rock (entre outros ritmos) no Brasil e mostra em detalhes a vida de estrelas como Chico Buarque, Elis Regina, Wilson Simonal, Roberto Carlos, Novos Baianos, Jorge Ben Jor e Tim Maia sob o olhar de quem teve a sorte de conviver com todos eles não em relações de trabalho, mas de amizade.

O livro é uma aula de música brasileira, sem dúvida. Para quem não sabe, Nelson Motta é um dos maiores produtores musicais do nosso país e responsável pelo crescimento da cantora Marisa Monte, pela criação do Noites Cariocas, que fica no Morro da Urca, no Rio, pela criação da vinheta (pentelha) de final de ano da Rede Globo (hoje é um novo dia, de um novo tempo…). Enfim, algumas muitas outras músicas famosas, boates, programas de TV,temas de novela, lançamento de artistas e de álbuns que fazem parte da nossa história musical. O livro vale a pena ser lido pelo tema e pelo autor, sem dúvida.

Com certeza estou esquecendo de muita coisa e também não dá pra colocar tudo. Estou apaixonada pelo livro. É bom comprar em sebos ou pedir emprestado porque nas lojas como Saraiva e Livraria da Travessa ele está bem caro.

Grande parte dele é passada na época da ditadura, onde a criatividade musical tem que ser multiplicada por mil. Por isso, podemos acompanhar o surgimento de novos ritmos e sons que se adequaram à nova forma de fazer música, uma melodia que quer dizer tudo mas não pode dizer nada. Nelson Motta diz que o hino desta época é a música “Apesar de Você”, do Chico Buarque.

E pra terminar, coloco um trecho do livro que gostei muito, é um “grito” de Caetano Veloso durante um festival em 64 onde ele se apresenta com Os Mutantes. A música era alternativa e no meio entrava um hippie urrando palavras que não dava pra entender. Em meio a vaias, tomates e ovos, Caetano para de cantar e grita furioso para a plateia:

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! Vocês são a mesma juventude que vai, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, absolutamente nada! (…) Nós estamos aqui para acabar com o festival e com a imbecilidade que reina no Brasil. (…) Se vocês forem em política como são em estética, então estamos feitos! Deus está solto!”